Histórico das Aldeias

BORORO

 

Estação missionária – presença entre os povos indígenas

 

Desde a primeira viagem missionária de dom Wunibaldo Teuller, primeiro prelado, em 1946, mediante a observação da realidade e da situação de abandono em que se encontravam os povos indígenas a Diocese sempre manteve presença missionária junto aos povos indígenas com educação, saúde, defesa da terra, das águas, cultura e valorização de seu jeito de ser e viver.

Na diocese de Rondonópolis-Guiratinga – Povo Bororo: Nas terras indígenas de Perigara, Córrego Grande, Piebaga e Tadarimana, (esses nomes se referem às reservas indígenas e em cada reserva organizam-se de uma a seis aldeias), num total de 1.650 indígenas.

Palavra do diretor da Escola Indígena na reserva Tadarimana

– Em 1902 nascia aqui no cais (espaço onde nasceu a cidade, pois tinha uma balsa que atravessava os migrantes) o povoado do Rio Vermelho.

– Em 1918 o deputado, tenente e agrimensor, Otávio Pitaluga, trocou o nome do povoado do Rio Vermelho para Rondonópolis, em homenagem ao nosso parente Bororo, o marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, o nosso JERI KURI, Testa Grande.

– Em 1938 aqui era município de Poxoreo – No dia 10 de dezembro de 1953 foi criado o município de Rondonópolis.

 

MAS A NOSSA HISTÓRIA BORORO É MUITO, É MUITO MAIS ANTIGA.

– Aqui 5.000 anos atrás já moravam os indígenas. Rondonópolis tem muitos sítios arqueológicos que são lugares que mostram a presença humana nesta região, aqui perto na Cidade de Pedra, temos o sítio Ferraz Egreja, o sítio Sete Barras, o sítio das Onças e outros mais.

– 1.000 anos atrás estavam aqui os BORORO. Os arqueólogos, aqueles que estudam as coisas antigas, garantem tudo isso.

– Este Rio Vermelho se chama Pogubo, nome do pássaro verão. O rio São Lourenço é Pogubo Cereu, pássaro verão preto que é a fêmea do Pogubo. O córrego Arareiao é lugar das piraputangas. O rio Itiquira se chama Bace Eiao, lugar das garças. Poxoreo é água preta. Tem o rio Poxoreo aqui perto também que é o rio Ponte de Pedra. Tudo aqui tem nome bororo. De Goiás até um pedaço da Bolívia.

– Em 1719, já 300 anos atrás chegaram os Bandeirantes em Coxipó, Cuiabá. Acharam ouro. Começou a guerra contra os Bororo. Está escrito na ata de fundação do Arraial do Bom Jesus de Cuiabá que os Bororo em sua defesa mataram oito brancos fora os negros. Depois em 1750 colocaram Vila Bela como capital de Mato Grosso. Mais guerra por lá. Aqui começaram a chegar colonos para criar gado e buscar diamantes. Depois abriram uma estrada aqui em baixo para buscar gado em Uberaba, lá em Minas Gerais. Aqui na região foram cem anos de guerra contra os Coroados. Chamavam assim os Bororo por causa da grande coroa de penas que usam, o Pariko. Abriram três destacamentos militares: primeiro no São Lourenço, depois mais para cima, no Sangradouro Grande na estrada que vai de Cuiabá para Goiás Velho e depois aqui perto, no rio Ponte de Pedra. Mas os soldados não venceram os Bororo. Conseguiram a paz com eles na covardia. Pegaram Rosa Bororo, Cibae Modojebado mais 5 mulheres que eram escravas em Cuiabá, seguraram os filhos delas como reféns, e trazidas aqui na região com os soldados chefiados pelo Alfere Antônio Duarte, as obrigaram a convencer os seus irmãos a depositar as armas. Era o dia 5 de maio de 1886.  Ai começaram a amansar Bororo com a pinga e hoje nos acusam de ser beberrões. Depois Rondon instalou a linha telegráfica com a ajuda dos Bororo. Em 1917 filmou os Bororo aqui no Rio Vermelho. Primeiro documentário feito no Brasil. Está no youtube: Rituais e festas Bororo. Depois Rondon demarcou as terras dos Bororo: Colônia Teresa Cristina, Colônia Isabel, Tadarimana aqui, Jarudori e Meruri. Mas depois, nos anos 1950 a 1960, o governador Fernando Correa, aquele que dá o nome à avenida principal de Rondonópolis, vendeu quase tudo. Não respeitou o acordo de paz de 1886. Perdemos Colônia Isabel, perdemos Jarudori, perdemos as terras melhores de Teresa Cristina, perdemos Meruri. Precisou lutar para recuperar Meruri. Na luta mataram Pe. Rodolfo e Simão Bororo. Perdemos Kejari, aqui perto, no Rio Vermelho. Lá passou em 1936 o famoso antropólogo Levi-Strauss que fez conhecer os Bororo no mundo inteiro. Hoje tem a Rodovia do Peixe. Kejari, a gruta do morcego, trocou nome: hoje tem uma placa: Gruta Anastácio Manoel do Nacimento. Senhor secretário da cultura de Rondonópolis, isso é uma vergonha, a cidade não conhece sua história.

– Hoje estamos lutando para recuperar só um pouquinho do que era nosso. Cedemos metade de Mato Grosso. Demarcaram nossas terras e depois venderam quase tudo. Que justiça é esta? Queremos deixar para nossos filhos, nosso netos, um pouquinho do grande território que nós tínhamos. Queremos deixar para vocês que não são índios, queremos deixar um pouco de verde, de natureza, de ar puro, de chuva. A única área verde de Rondonópolis é a nossa terra de Tadarimana. Queremos respeito, queremos que não esqueçam a triste história de Rondonópolis. 

 

TERRA INDÍGENA TEREZA CRISTINA – ALDEIA CÓRREGO GRANDE

 PRESENÇA MISSIONÁRIA DA DIOCESE RONDONÓPOLIS-GUIRATINGA E CIMI.

 

Partilhando a experiência de vida e Missão nas Aldeias.

 

“A missão dos eleitos, de Davi e Marçal Guarani, de Francisco, Inácio e Irmã Doroty, não aconteceu por causa dos seus méritos, mas pela misericórdia de Deus, que transformou seu olhar sobre a essência da Vida: gratidão, sobriedade, mãos vazias. Deus os fez profetas de um futuro que não lhes pertence.” Teologia do Papa Francisco, Suess, Paulo, pag.8.

 

Partilha da Experiência em 2019

            A nossa presença missionária na aldeia Córrego Grande, neste ano de 2019, foram de grandes desafios. Foi em meio a dificuldades econômicas, Direitos Constitucionais desconsiderados pelo Governo do País, direitos á educação e saúde específicos e diferenciados Os Processos de  demarcações e reintegração de posses impedidos, de suas terras completamente podados para ser conivente com os Capitalistas, Agronegócio, Fazendeiros, Milicianos e Capitadores dos recursos financeiros de todos os credos, dos bancos, financiadores e principalmente dos trabalhadores, e com os Indígenas não foi diferente.

A nós foi um ano difícil, as pessoas adoecendo e sem terem recursos para ir à uma consulta, sem ter como comprar o seu medicamento, pessoas que dependem somente de bolsa família tendo o seu beneficio bloqueado, passaram e estão passando muita necessidade. Dificuldades para as aposentadorias, em fim muitas outras mazelas que o atual Governo veio implantando e que está incidindo de forma muito negativa  na vida das pessoas Indígenas. Lamento o que vi e estou presenciando na comunidade indígena Boe e de outros Povos. Há muito sofrimento ao ver, povos sendo ameaçados de extermínios, povos sendo mortos dentro de suas humildes casas, sendo expulsos de suas terras tradicionais, idosos morrendo de tristeza de ver seus filhos e netos ou até bisnetos no desamparo total e sem ter como vivenciar suas culturas. Muitos foram valentes e guerreiros, resistentes combatendo e se arriscando a própria vida na tentativa e busca de uma solução, alguns foram mortos nesta luta. Foram e são muitos embates contra a vida dos povos Indígenas. O que tem nos mantidos fortes, primeiramente creio na força da oração contínua, firmeza, alimentados pela força de Jesus Eucarístico, alimentados pela força e companheirismos dos/as irmãos/as  missionários/as, pela presença da igreja que ha em nosso redor, pelo Bispo que tem nos ajudado incansavelmente, pela vontade de sermos solidárias/os e alimentar as pessoas com palavras capazes de aliviar, e no silencio rezar uma prece de compaixão e amor tão profundo e difícil de explicar. Creio que tudo isso me exige mais empenho na missão e vontade de permanecer, apesar de todos estes desafios.

 

O ancião Burudui fala da Nominação Boe (Batismo Boe Bororo)

 

AS ALEGRIAS:

 

Pela Graça de Deus, ha também as alegrias com o sorriso, as brincadeiras e o abraço das crianças o que muitas vezes elas nem percebem o que está acontecendo, porque confiam em nossos cuidados por elas. Os idosos apesar das dificuldades de caminhar tem a possibilidade de serem visitados, escutados e juntos oferecermos uma prece, em remédio caseiro isso os deixa feliz e o nosso coração volta para casa feliz.

Percebi que não pudemos permanecer somente pensativos, a nossa missão é agir diante dos abalos, dos desafios, dos sofrimentos, devemos ser realistas, idealistas, partir com garra e mantermos fortes imbuídos pela força divina, é aqui que vemos a nossa grande força missionaria, tentativas de buscar um rumo certo e possível de amenizar as situações, foi isto mesmo que fizemos juntos com os indígenas, fomos a luta pelos seus direitos à saúde e educação e poucos conseguimos mais não nos entregamos, e assim será, lutar pela vivencia até as nossas ultimas forças. Assim vejo em todo o trabalho do CIMI.

Não fizemos muito, mas fizemos o que nos foi possível, isso nos deixa feliz. Com isso vou concluir e fechar o Ano da Graça do Senhor na minha experiência de vida, se acaso algo acontecer comigo a partir de hoje ou nos dias que seguem, tenham a certeza que estarei feliz, por ter realizado pequenas ações, talvez alguém diga não fez ou não faz nada, mas eu me alegro e louvarei a Deus por esta oportunidade de ter vivido aqui este ano e ter colocado a minha vida à esta missão. Alegro-me ainda com a disponibilidade do Padre Erivelton que nos dias de folga, tem ido nas aldeias, as vezes para visitar e celebrar e as vezes para 

 

Agradecendo:

Sou agradecida primeiramente a Deus que me concede a vida e a oportunidade de colocá-la a serviço desta missão, ao Conselho Indigenista Missionário – CIMI por ter me apoiado de alguma forma nesta missão junto a diocese de Rondonópolis/Guiratinga. O grande companheiro Mestre Mario Bordignon, “Grande Pao Pega” que muitas vezes não mediu esforços de prestar qualquer favor aos Indígenas, vindo nas aldeias buscar, levar ou vir tratar de alguns documentos a respeito da reintegração de posse da T I Tereza Cristina, ajudar as famílias que estiveram de luto, sempre nas aldeias onde foi preciso às vezes fomos juntos, outras vezes sozinho, mas eu sempre recomendando os cuidados. À ele peço à Deus  que o conceda saúde e vida. Agradeço ainda a minha família, irmão/as que apoiam e estão sempre sintonia e orações comigo. Todos os as amigas/os que encontrei na caminhada da igreja, nas assembleias e encontros diversos da nossa igreja. Creio que as atuações foram muitas e diversas, porém não sou capaz de descrever tudo e todas.

 

Incidências:

Citarei algumas atuações: Atuação junto a educação que o forte é a parte administrativa e juntos à SEDUC fomos com grupos de Indígenas cobrar a reforma da escola ou pelo menos a melhoria nas estruturas do prédio. No Conselho Local de Saúde, juntos fomos à CASAI/Roo.  Com os jovens duas formações a respeito do Uso das Drogas e os efeitos negativos na vida do ser humano, participaram todas as turmas da escola os adolescentes e jovens, (Missionários e equipe de Saúde), Seminaristas e o Padre Erivelton de Almeida Postil.

Incidência no Ministério Publica junto com as lideranças Indígenas, tratamos questões de Saúde e  Protocolo de Consulta sobre a construção da PCH Mantoville, Incidência na Câmara de Vereadores para tratar e exigir a manutenção da estrada de acesso a Aldeia, apesar de sermos recebidos, houve as  promessas dos lideres do executivo realizarem os trabalhos, o não aconteceram. Incentivo e articulação junto ao CIMI e Diocese de Roo/Guiratinga para levar mulheres a participar do Encontro das Mulheres do Cerrado/MT, que aconteceu em Luziania-Brasilia. Lamentamos que não conseguimos marcar neste ano de 2019 nenhuma audiência na FUNAI de Brasília para que os Boe  Bororo pudessem verificar a situação do Processo de Reintegração de Posse da Terra Indígena Tereza Cristina. Percebemos que desde o momento em que o atual Governo tomou posse, houve constantes trocas de Presidências do órgão e tentativas de extinguir, embora a Fundação ainda sobreviva rastejando, porém sem autonomia financeira para realizar atividades e prestar serviços de sua competência nas comunidades Indígenas. Também aconteceu no início do mês de Junho uma Formação de Lideranças Indígenas realizada pelo CIMI/MT, como tema: Elaboração de Projetos, pois foi um tema muito solicitado pelos próprios Indígenas e que ha tempos vem enfrentando dificuldades para elaborar os seus Projetos. Na Avaliação dos Indígenas o Curso foi bom, porem eles dizem que precisaria de mais um (01) Curso deste. Tivemos a contribuição da missionária Eulalia, missionaria do Cimi regional / MT, mas que mora atualmente em Brasília. O Curso aconteceu nas Aldeias Meruri, Tadarimana, Córrego Grande e Piebaga.

 

Diálogo Inter Religioso:

Percebemos que a Igreja Diocese de Rondonópolis/Guiratinga, é praticamente única parceria junto as comunidades Boe. Sabemos que ainda é pouco, mas este pouco tem sido uma grande contribuição com ajudas a algumas famílias com alimentos, algum tipo de medicamento que eles não tem como comprar. Incentivo para continuação a cultura, participação nos seus rituais sendo presença junto as famílias. Realizamos muitos e lindos momentos Celebrativos com partilhas de alimentos pela própria comunidade.

Como no ano passado, este ano tivemos a graça de fazermos nossa missão na Aldeia Perigara, aldeia que fica no Pantanal. Tivemos a Graça de Deus, convivermos e partilhar nossos dons e alimentos com aquele sofrido povo, visitamos todas as família, escutamos e orientamos, demos uma boa Catequese a respeito dos Sacramentos da Igreja. E então os Padres Eduardo… que é de Barão de Melgaço, e o Padre Erivelton Postil, eu e Mestre Mario organizamos e realizamos o Sacramento do Batismo, o interessante que na maioria os Padrinhos e Madrinhas foram os Indígenas Guató que moram próximos.

Nesta missão também tem integrado o simpatizante da missão e nosso amigo, o Jovem Tallis, que ano que vem 2020, certamente participará da nossa Assembleia Regional para depois fazer o Curso Básico I e II. Rezemos para que ele continue conosco. Ele tem se mostrado muito prestativo, atencioso e interessado.

Na aldeia Córrego Grande, a comunidade já se prepara para o Natal: Oração, Festa e amigo secreto com toda a comunidade por iniciativa das mulheres e as crianças que saíram de casa em casa para que cada um pudesse tirar os nomes secretos e o valor dos presentes é oferecer aquilo que pode oferecer. A festinha será dia 25/12/2019.

Também o presidente do Conselho Local de Saúde, junto aos conselheiros oferecerão uma confraternização partilhada para toda a comunidade. Assim participo deste Natal com a comunidade Boe e depois viajarei para junto de minha família para descansar um pouco e recebermos a entrada do Ano Novo. Retornarei pelo dia 25/01/2020 se assim for do agrado de Deus.

Contando com o apoio do CIMI e Diocese de Rondonópolis/Guiratinga para o ano que vamos iniciar em breve. Estarei aqui para contribuir novamente nesta missão. Obrigada.

Não poderia deixar de Agradecer e explicitar sobre as alegrias em participar das Assembleias do CIMI / Regional / Geral, Diocesana de Pastorais, de Catequese, alguns cursos e momentos celebrativos que eu pude participar. Para mim isso tudo é parte integrante da missão, os dias de encontro, convivência, partilha dos dons em comum, estudos, reflexão, reorganização, planejamento e fortalecimento espiritual através das lindas celebrações eucarísticas e outros momentos de Mística que nos fortalece, anima e nos dá a certeza que a nossa vida não está sendo perdida, mas cultivar em nós a esperança.

Desejo a todos/as que: O Natal de Jesus Cristo, deste Ano seja, verdadeira coragem de deixar o seu coração pulsar de alegria, esquecendo os pensamentos negativos, maus entendidos, julgamentos, os momentos difíceis. Deixe o amor, dignidade da família, da comunidade, de si própria/o, abrace Jesus e diga Jesus eu te amo, seja bem-vindo à minha casa.

Da mesma forma acolham o Ano vindouro, com pensamentos positivos é o que importa. Recebam o meu simples e verdadeiro abraço. Com carinho e na certeza de que Deus estará pronto a nos proteger e conduzir no Ano que vai nascer. Deus conosco em 2020

         Igreja em saída: Seminaristas visitam, e partilham a vida na Aldeia – Dança “Jure”. Silvia Maria V. Pinheiro -MissionáriaAldeia Córrego Grande-PIN Gomes Carneiro

 

RELATÓRIO do 3º ENCONTRO DOS AGENTES BORORO DE PASTORAL. “PAO BATARU PEMEGAREU TABOUGE.”

Rondonópolis 25/09 a 27/09/2019.

Conforme planejado no encontro do ano passado neste ano apareceram 23 Bororo sendo 11 homens e 12 mulheres como consta em anexo na lista dos participantes. De cada uma das 3 grandes aldeias, Côrrego Grande, Tadarimana e Meruri vieram 4 representantes e os demais vieram de quase todas as outras 13 pequenas aldeias. Os Bororo têm um total de cerca 1.800 pessoas. O encontro aconteceu mais uma vez na sede da diocese de Rondonópolis-Guiratinga. O bispo Dom Juventino Kestering participou ativamente do encontro assim como a Irmã Valdina Tambosi que está na aldeia de Piebaga, a leiga Sílvia Maria Valentim Pinheiro da aldeia Côrrego Grande e o Irmão salesiano Mestre Mario Bordignon que é um missionário itinerante em todas as aldeias.

   O encontro começou com o canto bororo Awararége cantado pelo ancião Joaquim Burudúi pedindo a ajuda e proteção dos ancestrais sobre os presentes. Em seguida houve a apresentação por terras indígenas na sequência: Perigara, Teresa Cristina, Tadarimana e Meruri. Não havia ninguém de Jarudóri por esta área estar num momento crítico aguardando a sentença de reintegração de posse do STF de Brasília, sentença negada pelo Tribunal Regional Federal de Cuiabá. A assembleia fez uma oração especial para Jarudori. O anfitrião Dom Juventino deu as boas-vindas a todos lembrando o apelo do papa Francisco de que a igreja quer escutar a todos antes de tomar novos caminhos. Há dois anos que está acontecendo isso em toda a grande Amazônia em preparação ao Sínodo que acontecerá em breve a Roma de 06 a 27 de outubro. Dom Juventino participará e levará também os anseios dos Bororo. Depois o Mestre Mario fez memória dos dois encontros anteriores e a Luciene Jakomearége Cebádo fez uma análise da conjuntura da atual política indigenista. Nunca a política nacional com seus projetos de lei e ações concretas foi tão abertamente contra os direitos dos povos indígenas como neste governo do presidente Bolsonaro. O lado positivo é que os indígenas estão reagindo e se articulando cada vez mais. Um exemplo bonito disso foi a presença de quase 6.000 indígenas em Brasília durante o Acampamento Terra Livre durante a semana dos Povos Indígenas. Se concluiu que se precisa lutar para a demarcação das terras indígenas hoje precisa lutar mais ainda para conservar as terras demarcadas.

   Em seguida se entrou no tema dos padrinhos proposto no encontro anterior. O ancião Joaquim Burudúi, com participação ativa dos presentes, falou na língua do papel do “Iedága” que é o padrinho da criança no ritual da nominação. Geralmente é o irmão da mãe. Ele cria um vínculo de relações recíprocas e de acompanhamento com seu “Wagédu,” o afilhado, que dura por toda a vida. O mesmo acontece com o “Jorubodáre,” padrinho da iniciação que é sempre da metade oposta do “Iádo,” o afilhado iniciado. As madrinhas, geralmente as mulheres dos padrinhos, criam os mesmos laços com seus afilhados e afilhadas. Dom Juventino, em seguidas, admirado de como os Bororo tem claro o papel dos padrinhos, completou esclarecendo o papel dos padrinhos no Batismo cristão e na Crisma. Explicou a simbologia das coisas usadas nos sacramentos: água, óleo, luz, veste branca e gestos. Depois definiu claramente os compromissos dos padrinhos com os afilhados e citou uma série de verbos: ser da comunidade, ajudar, zelar, participar, testemunhar, pertencer à igreja, ensinar e acompanhar mais ainda o afilhado se falecerem os pais. Logo depois teve trabalho em 3 grupos para ver como é a prática dos padrinhos culturais e dos sacramentos. Também refletir porque muitos jovens desaparecem depois da 1ª Eucaristia e depois da Crisma.

No plenário apareceu claro que os padrinhos culturais são bastante atuantes. Importante não perder a ligação com a própria cultura. Mas os católicos nem sempre sabem dos seus compromissos com o afilhado. Pior ainda quando não são da comunidade, são de fora embora este fenômeno esteja diminuindo. Desaparecem. Quanto aos jovens que se afastam precisa trabalhar mais os pais e padrinhos deles. Para isso o agente de pastoral deve ter uma boa formação. Chamar os jovens, ser criativos, fazer atividades alegres com eles e aproveitar para falar também da vivência religiosa. Seria bom nestes momentos ter um intercâmbio entre os agentes Bororo de pastoral, chamar das outras aldeias para ajudar. Aproveitar os cursos de formação que são dados nas dioceses e depois “inculturar” nas aldeias. (José Mário.) Dom Juventino propôs de fazer junto com o Mestre Mario, para o ano que vem, um livrinho simples sobre os sacramentos. Terminou assim o primeiro dia.

 O segundo dia começou com orações em língua bororo e cantos conhecidos traduzidos na língua bororo. Para refletir no segundo assunto, o papel do Agente Bororo de Pastoral, começou-se ouvindo do ancião o famoso mito bororo do “Aróe Ecéba” o matador dos Bororo, o gavião real. Depois nos grupos, lida a versão em português, procurou-se intender o mito e ver o que ele ensina. O gavião real foi morto numa ação conjunta articulada pelo irmão mais velho com seu irmão mais novo, o pai, a mãe e a avó. O que representa o gavião? Tudo o que há de mal nas aldeias, o álcool, as brigas, “a política de Bolsonaro,” (Maria Pedrosa). O que ensina? Com coragem, com vontade, com a colaboração de muitos, com fé e esperança, representadas na penugem branca que sobe ao céu e desce, se pode vencer o mal. Em seguida se leu um documento resumido sobre o que é o Agente Bororo de Pastoral, o Bororo-cristão, aquele que vive a cultura e a religião cristã e está a serviço da comunidade para que faça o mesmo.

   Na parte conclusiva do encontro ouviu-se os relatos do que foi feito nas aldeias neste ano que passou. Em algumas mais e em outras menos, mas melhorou bastante. Constatou-se que os evangélicos são mais presentes que os católicos. Não brigamos com eles, mas não aceitamos que digam que a cultura bororo é do diabo. Em seguida foi escolhido o compromisso para este ano que vem: Comunicar-se mais (via grupo wattzapp a ser organizado pela Luciene) e ajudar-se mais.  Depois escolheu-se o tema para o próximo encontro: A família bororo e a família cristã. Ficou marcada a data de: 02 a 05/09/2020 sempre na sede da diocese de Rondonópolis-Guiratinga. A avaliação do encontro foi muito positiva. O que poderia ter sido melhor era a permanência até o fim de todos os participantes. No fim o cacique de Côrrego Grande, Bruno Tawíe, incentivou a todos a serem multiplicadores da vivência cultural e cristã nas aldeias. A missa de encerramento e envio foi presidida por Dom Juventino que agradeceu a todos pela presença e pelo bom aprendizado que este encontro ofereceu a todos.

3º ENCONTRO DO GRUPO BOE: “Pao Bataru pemegareu tabouge.”

LISTA DOS PATICIPANTES.

RONDONÓPOLIS 25 a 27/09/2019

PERIGARA:                                                                              MERURI

EDMUNDO IWODO MUGUREU                                           MARIA PEDROSA URUGUREUDO

LUISA RODRIGUES DE OLIVEIRA MUGUREU                      LEONIDA AKIRI KURIREUDO

ELIANE PARIKO ENAUDO                                                       JOSÉ MÁRIO KUGARUBO

JUCINEY BOKODORI KUIE                                                      LOURENÇO FILHO PIROJIBO BORORO

CÔRREGO GRANDE                                                                ASSESSORES CULTURAIS

SEBASTIÃO TOROREU                                                            JOAQUIM AIJE KURIREU

VALDOMIRA KOGUE                                                               MARIA PEDROSA URUGUREUDO

BRUNO TAWIE                                                                         SEBASTIÃO  TOROREU

SÔNIA M. RONDON PARABARA TOGIWUDO                     LEONIDA AKIRI KURIREUDO

GALDINO PIMENTEL                                                              ASSSSORES EXTERNOS

NELCY KOE JOKUREA                                                              DOM JUVENTINO KESTERING

EVANDRO PARABARA                                                             SÍLVIA M. VALENTIM PINHEIR

PIEBAGA E ARAREIAO.                                                           IR. VALDINA TAMBOSI

LUCIENE JAKOMEAREGE CEBADO                                        MESTRE MARIO BORDIGNON

LISANDRO BENTO MARISCOT

TADARIMANA

JOAQUIM AIJE KURIREU

JOLANDA SILVA BAKORO KURIREUDO

LETÍCIA ARARU AIGO  (POBORE)

OSVALDINO KUOGO    (POBORE)

ROSIMEIRE M. D. J. ADUGO EDU (PRAIÃO)

ADEVAIR AKIRIO KURI    (PRAIÃO)

JUCICLEIDE CERAE ETUJE (POBO JARI)

 

Relatório da Presença Missionaria Diocese e Rondonópolis/Guiratinga/MT – ano 2017

 

Terra Indígena Tereza Cristina = Aldeias Córrego Grande, Piebaga, Arareao e Galdino Pimentel com as missionárias = Silvia Maria, Irmã Valdina Tambosi– Terra Indígena Tadarimana = Jurigi, Praiao, Pobore = com os missionários Padre Artur, Mestre Mario e Padre Kian.

“A presença testemunhal do CIMI junto aos povos indígenas e à sociedade brasileira se diferencia, a partir da fé, de serviços concretos, específicos e, muitas vezes, profissionais prestados aos povos indígenas por outros setores da sociedade.” (Plano. Pastoral do CIMI-4.2, p.41). “Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa Nova do Reino de Deus e os discípulos caminhavam com Ele” (Lc 8,1). Projeto Diocesano de Pastorais.

Alegro-me, poder partilhar com a Diocese de Rondonópolis/Guiratinga, as pequenas iniciativas, gestos e sinais da nossa presença enquanto Igreja Católica, na comunidade Indígena Boe Bororo. Sinto necessidade, pois nesta presença missionaria, também é compromisso e respeito, pois a diocese teve gastos, com: viagens de buscar, levar as missionárias nas aldeias, Córrego Grande e Piebaga, manutenção do veiculo, presença nas celebrações de Sacramento na Aldeia, 1º Encontros com Agentes da Pastoral Indígena em Rondonópolis, alimentação, ajudas com despesas de viagens para os Indígenas, participação dos Indígenas nas celebrações na Assembleia Diocesana, sem contar as despesas de atividades nas aldeias. Tudo isso nos motiva a reconhecer a oportunidade que a Diocese proporciona-me em poder compartir as nossas vidas a serviço do Reino de Deus.

Aproxima-se o Natal de Jesus Cristo, final do Ano/2017. Ano Novo chegando. Tempo de Celebrar. Cumpri-nos socializar com toda a coletividade missionária. Com o coração repleto de júbilo e prazer em partilhar mais esta experiência. Mais um ano de missão junto ao povo Boe e em especial na aldeia Córrego Grande, que a Diocese de Rondonópolis/Guiratinga, confiou-nos ser presença missionaria e realizar os trabalhos na Apesar de que todas/os nós sabermos dos desafios que enfrentamos com a situação econômica, financeira, desempregos, muitas famílias passando fome, e até desespero por não saberem mais o que fazer, alguns foram às ultimas consequências. Creio que esta é uma fase, cremos que o Deus da Vida que tudo sabe que tudo vê, está agindo para nos revelar seu amor sempre no aldeia. Motivos que me levou a apresentar os resultados. momento certo. Rezemos pelas necessidades urgentes. 

Agradeço de coração a todas as pessoas que encontrei nos caminhos, que me deram uma palavra de incentivo, uma prece momentânea, mas que neste pequeno gesto senti revigorar as forças, pelo abraço fraterno, pelo sorriso, a você irmã e irmão, padres, freiras, leigo/a, que nos caminhos da missão fomos nos encontrando e nos fortalecendo. São caminhos lindos, tão floridos de sorrisos, de rostos cansados, passos rápidos, passos lentos, dias alegres e dias tristes, mas, que não conseguimos parar a não ser parar o repouso. Os caminhos da missão são lindos, só pelo fato de pensar que é nesta vida missionaria que, o que se faz é por Amor, que seguimos cantando, mesmo na tristeza, mesmo no desanimo. Sim, é por Amor, que seguiremos rumo a mais um Ano que nos espera, cheios de esperanças, cheios utopias, de energias positivas, superar as ondas de maldades contra a nossa Igreja, continuemos  os nossos caminhos, façamos nossos planos e os planos de Jesus em prol das pessoas, valorizando a todos /as, os que mais necessitam e nos lugares onde quase ninguém se determina a ir, sim, é lá que precisamos pôr os nossos pés a caminho, nosso olhar, nossas mãos. Jesus nos quer assim, porque Ele mesmo nos diz em seu Evangelho. “Eis que eu estarei contigo todos os dias de tua vida.”

Antes de fechar este pequeno relato desejo que as família se unam para celebrar a festa do nascimento de Jesus, tempo para se abraçar, agradecer e vivenciar em espirito de amor fraterno, a família é o centro do Amor, e sem este amor verdadeiro será uma família dividida, decadente, por tanto vivamos o Natal em paz, esqueçamos os celulares, televisões e altos sons, no momento mais precioso, de encontros maravilhosos e marcantes. Vivam o Natal em família. Vivam o Ano Novo a cada dia na prece e no amor a si, ao próximo e a Deus. Feliz Natal e um frutuoso Ano Novo. Com abraço e carinho, de sua amiga e companheira de missão: Silvia Maria V. Pinheiro Enaureudo Missionaria do Cimi/Diocese de Rondonópolis-Guiratinga, 12/2017

  

BOE EIEDODU

No decorrer do dia e da noite e no amanhecer do dia seguinte, de 14 de dezembro de 2019, na aldeia Gomes Carneiro, Córrego Grande, diocese de Rondonópolis-Guiratinga o Ancião Boe Sr. JOAQUIM, chefe de Rituais, deu início ao “Boe Eiedodu” denominação Boe ou Batismo Bororo.

Foram quatro (04) crianças que receberam o nome de acordo com os clãs e famílias num rito que atravessa a noite. No amanhecer às seis horas lá estávamos nós  “igreja presente” junto com os Boe, o rito iniciou-se  pela manhã na data do dia 14/12/2019 com os preparativos dos adornos que devem ser realizados pelos padrinhos e familiares, à tarde teve a apresentação das crianças a comunidade. E a noite toda de cantorias para a escolha do nome dessas crianças. No dia  15/12 às cinco e meia da manhã aconteceu os ritos finais coincidindo com a nominação, ou seja, a criança recebe um nome. Após este momento teve a partilha de alimentos pelos familiares das crianças. Foi um rito importante e afirmativo da Identidade na comunidade Boe Bororo. Um aprendizado para a iniciação à vida cristã de nossas comunidades. Na aldeia há durante o dia o envolvimento dos padrinhos, dos pais, avós e comunidade. Cantam, celebram à noite toda e no amanhecer realiza-se o rito da nominação. A missionária Silvia este presente e acompanhou todos os ritos e cantos.

AGENTE BORORO DE PASTORAL. – QUEM É?

É um bom Bororo-Cristão. É um indígena que reconhece que os valores da sua cultura são uns dons de Deus! Reconhece que a religião cristã, o Evangelho, completam a própria cultura e ajudam a superar os defeitos que toda cultura tem. (Mt:4,17) Assim como no ritual do Bóe Iedódu, ritual da nominação, ele se torna um Bóe Máiwu, um Bororo novo, que entra a fazer parte do seu povo Bororo, no Batismo Cristão ele se torna uma nova criatura, um Bororo-Cris … novo que entra a fazer parte do povo de Deus que é a Igreja. O Evangelho, a Boa Palavra de Jesus, sua vida, paixão, morte e ressurreição fazem parte da vida do Bororo-Cristão. Com o Batismo, a Eucaristia e a Confirmação ou Crisma.

Bororo-Cristão se torna um “Discípulo e Missionário,” que quer dizer um aluno e um apóstolo, um mensageiro de Jesus.        

– O QUE FAZ O AGENTE BORORO DE PASTORAL?

É uma pessoa que se põe a serviço da comunidade, da Igreja e procura trabalhar em equipe. Na cultura bororo é muito forte o respeito sagrado à natureza, o sentido de comunidade, de igualdade e solidariedade recíproca. A comunidade reconhece a capacidade, os dons ou os carismas de cada pessoa que são colocados a serviço da comunidade. A Igreja é uma comunidade onde os carismas quando são a serviço da comunidade são chamados de ministérios ou diakonia. (lCor: 12,4-11) É o reconhecimento da Igreja das ações ou tarefas feitas no serviço à comunidade cristã. Temos ministérios ordenados: bispos, padres e diáconos, e ministérios não ordenados que são muitos. O agente de pastoral é um ministério não ordenado mas muito importante.

 

– QUAL É O OBETIVO DO AGENTE BORORO DE PASTORAL?

Sentir, viver e manifestar o Amor de Deus por nós, Mearúdu kúri. Como? Participando dos rituais bororo, colaborando com a leitura e reflexão da Palavra de Deus, com a organização das celebrações litúrgicas, com a catequese em preparação aos sacramentos, rezando e convidando os irmãos para rezar juntos, usando a caridade para com todos e dando um bom exemplo, um bom testemunho de Bororo-Cristão. “Nós cremos e por isso falamos.” (2Cor 4,13) Preparando a comunidade para ter no futuro seus ministros ordenados com sua própria liturgia bororo. Chamando Deus de Aróe Eimejéra, Aróe Pemegaréu, Chefe das almas dos vivos e dos mortos, Espírito Bom. Os Bororo acreditam na vida depois da morte onde tudo é bonito e a vida é um eterno ritual junto com todos seus ancestrais e os grandes heróis míticos.

 

Terra Indígena Tereza Cristina Á SUA DOAÇÃO FEZ Á DIFERENÇA 

 

Missão Aldeias Boe Bororo / Povo Boe. Aldeia Córrego Grande, presença permanente e solidária com as comunidades Boe, neste tempo de pandemia pelo novo coronavírus. Foi opção pelo desafio da missão para fazer a experiência de como seria este tempo imprevisível para sairmos da quarentena, o que já são quase um bimestre. Foram fechadas as entradas de acesso à Aldeia, desde o dia 18/03/2020, para não sair e entrar ninguém, uma questão de se auto protegerem, porem os os mantimentos foram se esgotando.

 A Diocese de Rondonópolis através de doações advindas das paróquias, nos enviou o seu socorro trazendo alimentos por três vezes e também doações de roupas. Aqui fui percebendo e anotando os mais necessitados e fazendo a partilha, conforme o que veio. Foi bonito ver as mulheres indígenas chegarem com suas crianças, o sorriso no rosto, alegre e feliz por receber um pouco de alimento, roupas e até frutas, como bananas e laranjas. Gratidão à Diocese, por providenciar, encaminhar e toda a preocupação com o nosso trabalho missionário nas Aldeias. Foram alimentos primeirados pelas comunidades rondonopolitanas que aqui chegaram 38 cestas pela FUNAI, não foi suficiente. Mas que também ajudou as 38 famílias.

            No dia 28 de abril acompanhamos um grupo de lideranças Boe para cobrar junto à FUNAI – Cuiabá uma negociação entre a comunidade x Rota do Oeste x empresa Lions Tour que prestam serviços de transportes semanalmente para a comunidade, foi feito o pedido para que o cancelamento das viagens neste período que fossem transformados os pagamentos desta empresa em compras de alimentos. Nessa viagem conseguimos fechar a negociação e estamos aguardando chegar na quarta-feira, dia 13/05/2020, mais uma parte de alimentos para serem divididos entre as famílias em todas as aldeias, onde recebem como compensação da duplicação da BR 364 e BR 270. Reconhecemos o risco de nossa saída, mas era necessário.

            A comunidade tem se organizado na limpeza da Aldeia, houve mutirões de limpezas, todos os lixos foram retirados das casas, sacos plásticos, lixos como ferro velhos, plásticos em geral, foi limpo o centro Bororo. Devido a existência de um funeral tradicional, temos ainda os cuidados com os alimentos naquela casa de luto, orações, visitas semanalmente, participações nos rituais onde sorrimos e choramos junto com a família que está recolhida no luto.

            Graças a Deus, não se manifestou nenhum caso de coronavírus até o momento, apesar de, por duas vezes, houve uns alarmes falsos, pessoas de Tadarimana, a comunidade ficou muito assustada, mas não foi verdade.

            Na questão do atendimento a Saúde, o que veio foi somente a vacina H1N1 logo no início da pandemia, não foi providenciado muita coisa que tivesse que socorrer algum indígena, não veio máscara nem álcool gel para o postinho local, apenas uma caixinha daquelas bem finas isso veio bem depois, nada de testes rápidos, nada de orientações técnicas para os agentes indígenas de saúde – AIS, nenhum medicamento tipo antibiótico para os primeiros socorros, creio que também não foi para a Casa de Saúde do Índio (CASAI), então creio que Deus tem agido e livrados os Boe. A diocese também nos enviou 200 máscaras de proteção, através de doações. Estas que estou distribuindo aos que vão, às vezes, na cidade. Muito boa. Solicitamos ao CIMI que cobrem dos órgãos responsáveis como SESAI, DSEI, providências básicas que é de suma responsabilidade.

            No atendimento à educação, também estão paradas as aulas, mas sempre vamos à escola fazer atendimentos para os que necessitam. Foi-nos prometido vir uns kits de alimentos para as famílias dos alunos matriculados, porém ainda não chegaram. Não chegamos a concluir os contratos, pois tudo foi paralisado. A internet não funciona motivo que sempre estamos sem comunicação, eu, às vezes, vou lá do outro lado do campo de futebol para acessar e dar notícias.

            Nesta semana que terminou ontem, tivemos chuva e frio por três dias, fiquei acamada com forte gripe, não foi corona, estou bem melhor e já estou na ativa. Ainda com os cuidados e tomando medicamentos do postinho local. Estou bem. Procurando ocupar o tempo dos dias que passam com algo que não nos deixe estressada; aqui muito tempo em casa nada é fácil. Mas a missão, amor e opção pelos pobres de Jesus Cristo é o que anima e nos faz permanecer. Deus seja louvado! A luta é contínua.

            Em nome das comunidades Boe, que sempre receberam as bênçãos da Diocese de Rondonópolis-Guiratinga através do bispo da Igreja e do CIMI/MT pela nossa presença, temos a dizer, com muita ênfase, o nosso obrigada. Carinhosamente. Deus vos abençoe.

 

Sílvia Maria V. Pinheiropela equipe missionária