A Eucaristia contém a totalidade do mistério da salvação

A afirmação de São Tomaz de Aquino de que “a Eucaristia contém a totalidade do mistério da salvação”, foi uma das referências centrais da homilia do bispo diocesano de Rondonópolis-Guiratinga, Dom Maurício da Silva Jardim, na Missa de Corpus Christi, celebrada na última quinta-feira, 30/05, na Catedral Santa Cruz. Festa anual em que povo católico manifesta, através de procissões públicas, com o Santíssimo Sacramento, sua plena certeza e convicção na “presença real” de Cristo na hóstia consagrada.
O bispo ensinou que a Eucaristia no contexto de refeição – de ceia pascal – instituída por Jesus, deve ser sempre celebrada como ação de graças, em memória e como atualização do grande mistério do amor de Deus: “amor que sempre alcança a todos”.

DIMENSÕES – Na primeira das três dimensões referidas sobre o Corpo e Sangue do Senhor, Dom Mauricio apresentou a Eucaristia como um “mistério professado”, em que “a gente crê ou não acredita”. Segundo ele, com base na afirmação imperativa do próprio Cristo, nas aparências do Pão e do Vinho está Jesus ressuscitado, real. “Meu corpo é verdadeira comida; meu sangue é verdadeira bebida. É o pão vivo descido do céu que sacia nossa fome e sede de Deus. Não apenas faz lembrar, representa ou quer significar. Ele próprio afirmou que é realmente (na consagração, em memória de sua doação) seu santíssimo corpo e sangue, dados por alimento”, comida e bebida para a alma dos seus.
Dom Maurício também ensinou que a “Eucaristia não é um prêmio para os perfeitos, mas alimento para os frágeis e pecadores”, indignos de recebe-la, dada como “um dom” do céu para alimentar a vida cotidiana da comunidade.

TRASNFORMAR – Na segunda dimensão, conforme o Bispo, a Eucaristia é um “mistério celebrado” em memória de Jesus, como ordenado por ele próprio aos seus escolhidos, e que tem que transformar o modo de pensar e de agir e nos fazer pessoas novas. “Se não for assim, nossa eucaristia é reduzida a ritos vazios e formais, portanto, o primeiro efeito da eucaristia é o espiritual”, catequizou.
Nesse sentido, Dom Maurício exortou ainda o povo católico a valorizar a Eucaristia, uma vez que ela, ainda nos dias de hoje, não tem sido um dom acessível a todos os cristãos. “Nem todos os cristãos do mundo tem acesso a Eucaristia. Inclusive em regiões do Brasil 90% das comunidades não tem a Missa semanal. Aqui nós temos: e quantas eucaristias”, lembrou.

SERVIR – Dom Maurício Jardim concluiu a homilia falando da terceira dimensão essencial da Eucaristia como “mistério vivenciado”, voltado ao aspecto comunitário. “Não é só acreditar e celebrar, é preciso viver”, conforme ele, os compromissos e responsabilidades de comungar o Corpo de Cristo, no mesmo contexto da humildade e doação do ato do lava pés, “servindo-nos e doando-nos” uns aos outros de forma que a comunidade se torne, na prática, o corpo místico de Jesus que é a cabeça desse corpo, que é a Igreja. “Um só é o pão que é partido para unidade de todos. Não se pode participar da Eucaristia sem se comprometer com a fraternidade recíproca”, cobrou Dom Maurício.
O bispo alertou ainda sobre “a tentação de separar a fé na Eucaristia da vida concreta”, lembrando o ensinamento do próprio Jesus: “tive fome e me deste de comer, estive preso e me foste me visitar”. Ou seja, conforme ele, fazer parte da comunhão do Corpo do Senhor, deve levar a “comunhão entre o povo que se alimenta dele”, convidado a permanecer no amor fraterno, a partir da adoração e da escuta no silêncio.

PASCOM DIOCESANA

DIOCESE DE RONDONÓPOLIS-GUIRATINGA