Sim a Vida, Não ao Aborto!

Dom Maurício desafia Diocese a fortalecer pastorais que ‘representam a defesa da vida’

Caminhada pela vida, na sexta-feira, 20/10, em Rondonópolis classificou a ADPF-422, apresentada pelo PSOL ao STF em 2017, como “plano muito ardiloso contra a vida humana”

O bispo dom Maurício da Silva Jardim fez na última sexta-feira, dia 20, um apelo as paróquias da Diocese de Rondonópolis-Guiratinga, para que trabalhem no sentido de fortalecer as ações de pastorais, movimentos e serviços da Igreja que, de alguma forma, representem a defesa da vida. Foi durante a homilia da Missa celebrada na Catedral Santa Cruz, no encerramento da Caminhada pela Vida e contra o aborto. O manifesto público começou, como o previsto, as 18h, defronte a Matriz Sagrado Coração, subiu por cinco quarteirões pela rua Arnaldo Estevão de Figueiredo, seguiu por outras quatro quadras pela João Ponce de Arruda até a Dom Pedro II e de lá, até a catedral, em um percurso de pouco mais de 1,6 km.

REZA DO TERÇO – Na breve meditação de abertura, Dom Maurício lembrou que, para a Igreja, a vida humana é um dom de Deus, por isso “inegociável”, e deve ser defendida desde a concepção até a morte natural, sem qualquer exceção ou pretensa justificativa. “O cristão verdadeiro, sem nenhuma exceção é contra o aborto, a eutanásia, a distanásia, a pena de morte, ou qualquer outra intervenção humana que limite esse direito para as gestantes, os nascituros, doentes, idosos ou portadores que qualquer limitação”, afirmou.

No trajeto da caminhada, a reza dos mistérios dolorosos do Santo Terço foi a base das meditações sobre o papel da igreja, de cada cristão/católico, da família, das autoridades políticas e da sociedade, contra qualquer mecanismo que se crie para a abreviação ou eliminação da vida.

ADPF-442 – No comentário inicial da caminhada, lido por padre Andritony Anchieta Adriano, a Igreja particular de Rondonópolis-Guiratinga, classificou como “um plano muito ardiloso contra a vida humana” a proposta de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF-442), protocolada em 2017 pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), pedindo ao Supremo Tribunal Federal que o aborto realizado por vontade da pessoa gestante deixe de ser um crime até a 12ª semana de gestação. “O aborto é um crime sem justificava contra uma vida que já existe, e a mais indefesa de todas. Por isso somos chamados a gritar e lutar em favor daqueles que ainda nem nasceram e correm risco de serem assassinados nos ventres de suas mães, sob o absurdo e inaceitável pretexto de política de saúde pública”, afirmou Dom Maurício, em uma das paradas da caminha, já há duas quadras da Catedral Santa Cruz, onde convidou os participantes a “rezar em silêncio pelos bebês que não podem gritar” por socorro às suas vidas ameaçadas pela ADPF-442.

CUIDADO DE DEUS – Na homilia da Missa, Dom Maurício lembrou o Evangelho do dia, Lucas 12, onde Jesus menciona a preocupação e o cuidado do Pai com a vida dos pardais e até com o número de fios de cabelo (contados) da cabeça de cada uma de suas criaturas. “Se nenhum fio de cabelo cai da nossa cabeça sem a sua permissão, o que dizer da preocupação do nosso Deus com a vida que ele criou e os homens querem eliminar por força de lei. Somos todos imagem e semelhança de Deus. Lutemos pelo direito sagrado e inviolável da vida e contra o aborto em qualquer situação”, pediu o Bispo.

COMPROMISSOS – Dom Maurício encerrou o sermão chamando a frente do presbitério gestantes presentes a Missa e convocando os católicos que pastoreia a defenderem e ajudarem as gestantes em qualquer que seja a situação que elas estejam.

Ele divulgou uma relação de “seis compromissos” que deseja, sejam assumidos pelas comunidades da diocese, como forma de ampliar a rede de atenção e defesa à vida, desde a concepção até a morte natural, passando por cada mãe com seu filho (a) no ventre.

O primeiro desafio é que cada católico siga atuando, no dia-a-dia, em defesa da vida: “Que a nossa defesa pelo direito pleno a vida como dom de Deus inegociável, não se restrinja a essa caminhada, mas seja exercida diariamente, por palavras e sobretudo por gestos concretos que cooperem com sua manutenção”, afirmou.

Outros compromissos sugeridos pelo bispo dizem respeito a implantação (onde não houver) e o fortalecimento (onde já existe) da Pastoral da Criança – que atua no acompanhamento desde o início até os primeiros meses de vida da criança; também em apoio a Pastoral Familiar (que pensa e trabalha a atenção à família como um todo, a partir da sua formação); e a Pastoral da Mulher Marginalizada (que atua e recupera a vida de mulheres e crianças vítimas da prostituição, violência sexual e outros flagelos sociais, como as drogas).

Dom Maurício também lançou o desafio para que as comunidades “conheçam melhor” o trabalho da Comissão Diocesana de Tutela e Proteção da mulher e criança em situação de abuso sexual e que, cada um se comprometa em apoiar e proteger as gestantes em sua realidade cotidiana. “Procurar ajudar com o que é possível de acordo com a necessidade de cada gestante. As vezes uma palavra, um alimento, uma oração, um apoio no encaminhamento aos exames de pré-natal. Todos nós temos uma ajuda a oferecer”, finalizou Dom Maurício.

Íntegra da homilia de Dom Maurício

VIDA: DIREITO INVIOLÁVEL

O motivo principal que hoje nos fez caminhar é o grito pela vida da concepção até a morte natural: é um sim à vida e um não ao aborto. Nosso fundamento de defesa e proteção da vida vem da Palavra de Deus: “Somos criados a imagem e semelhança de Deus”.

Todos devem ter o mesmo direito à vida e não na vida dos outros. “Ninguém nunca poderá reivindicar o direito de escolher o que mais convém por meio de uma ação direta que elimine uma vida humana, pois nenhuma pessoa tem o direito de escolha sobre a vida dos outros” (Vida: Dom e Compromisso II, n. 97). “A decisão deliberada de privar um ser humano inocente da sua vida é sempre má, do ponto de vista moral, e nunca pode ser lícita nem como fim, nem como meio para um fim bom” (Evangelium Vitae, n. 57).

A Igreja do Brasil, através da CNBB sempre tem levantando sua voz contra a inclusão da pauta ADPF 442, do Supremo Tribunal Federal (STF), que pleiteia a possibilidade de aborto legal até a 12a semana de gestação. Por isso reafirmamos: “O aborto constitui a eliminação de uma vida humana, trata-se, pois, de uma ação intrinsecamente má e, portanto, não pode ser legitimada como um bem ou um direito” (Vida: Dom e Compromisso II: fé cristã e aborto, Edições CNBB, 2021, n.96). Nos recorda o Papa Francisco na Exortação Apostólica Alegria do Evangelho: “Entre os seres mais frágeis, de que a Igreja quer cuidar com predileção, estão também os nascituros, os mais inermes e inocentes de todos, a quem hoje se quer negar a dignidade humana para poder fazer deles o que apetece, tirando-lhes a vida e promovendo legislações para que ninguém o possa impedir” (EG, 213). Por tudo isto, o aborto é um crime.

O Evangelho de hoje descreve a preocupação e atenção de Deus com os pardais. Diz Jesus: “Não se vendem cinco pardais por uma pequena quantia? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus”. Se Deus se ocupa e não esquece dos pardais e sabe do número de fios de cabelos de nossa cabeça, imaginem com a vida humana intrauterina. O bebe no ventre da mãe é uma vida humana frágil e sem defesa. Nosso grito de hoje de sim à vida e não ao aborto é um grito em nome daqueles que não podem gritar. A vida humana é um direito sagrado e inviolável. Deus é o primeiro interessado em proteger, cuidar e salvar a vida humana. “Escolhe pois a vida e não a morte”.

Temos a convicção de que a vida humana é sempre sagrada e inviolável, em qualquer situação e em cada etapa do seu desenvolvimento. É fim em si mesma, e nunca um meio para resolver outras dificuldades. Se cai esta convicção, não restam fundamentos sólidos e permanentes para a defesa dos direitos humanos, que ficariam sempre sujeitos às conveniências contingentes dos poderosos de turno. Por si só a razão é suficiente para se reconhecer o valor inviolável de qualquer vida humana, mas, se a olhamos também a partir da fé, «toda a violação da dignidade pessoal do ser humano clama por vingança junto de Deus e torna-se ofensa ao Criador do homem» (EG, 213). Deste modo, jamais aceitaremos quaisquer iniciativas que pretendam apoiar e promover o aborto, a eutanásia, a distanásia, a pena de morte ou qualquer tipo de violência contra vida e a dignidade humana. Não se deve esperar que a Igreja altere sua posição sobre esta questão.

Gostaria de propor alguns compromissos concretos que nascem desta caminhada:

  • Não reduzir o dia de hoje a um evento, continuarmos na defesa da vida do nascituro. Sua vida é sagrada e deve ser protegida e promovida.
  • Fortalecer e implantar a Pastoral da Criança que acompanha as mães gestantes e as crianças mais vulneráveis e necessitadas.
  • Incentivar a Comissão Diocesana Especial de Promoção e Tutela de Crianças, Adolescentes e Adultos Vulneráveis. Esta comissão tem como tarefa primeira o trabalho preventivo para que todas as instituições católicas sejam o lugar seguro e livre de abuso sexual de crianças e adolescentes.
  • Apoiar a Pastoral familiar em nossas paroquias. Criar a cultura de cuidar e proteger as famílias que sofrem tantos desafios.
  • Conhecer, apoiar e participar da Pastoral da Mulher Marginalizada que atua com mulheres em situação de prostituição, enfrentamento e combate ao abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes e combate ao tráfico humano.
  • Acompanhamento das gestantes, sobretudo as mais necessitadas de cuidado, alimentação e auxílio no seu pré-natal. Por favor, venham até aqui a frente as gestantes com seus maridos. Gratidão a vocês que estão dando um sim a vida. Queremos nos comprometer com vida que vocês que carregam no ventre e também nos comprometer com todas as gestantes. Sugiro que visitemos as gestantes de nossa cidade, sobretudo aquelas que passam maior dificuldade. Não podemos excluir nenhuma gestante, todas, também aquelas que estão no presídio feminino de nossa cidade. Todas precisam de nosso acompanhamento e apoio. É triste quando excluímos uma gestante de nossa família, comunidade e sociedade.

Que o Sagrado Coração de Jesus, patrono de nossa diocese, nos inspire no cuidado, defesa e promoção da vida humana, desde a concepção até a morte natural.

Dom Maurício da Silva Jardim

Bipo da Diocese de Rondonópolis-Guiratinga